quarta-feira, 7 de julho de 2010

Teatro da Vida


-Um político em campanha, começou o discurso: -Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados, reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura à prefeitura. Um cidadão pergunta: -Escute aqui, por que o senhor usa três palavras para dizer a mesma coisa? O canditado responde: -A primeira palavra é para pessoas com nível cultural alto. A segunda é para pessoas com um nível cultural médio. E a terceira é para pessoas com nível cultural baixo, como aquele bêbado ali jogado na esquina. De imediato, o bêbado se levanta cambaleando e responde: -Sr. postulante, aspirante ou candidato! (hic) O fato, circunstância ou razão de que me encontre (hic) em um estado etílico, bêbado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou ralé mesmo(hic). E com todo o respeito, estima ou carinho que o Sr. merece (hic), pode ir agrupando, reunindo ou ajuntando (hic) seus pertences, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir diretinho (hic) à leviana da sua genitora, à mundana da sua mãe biológica ou à p.q.p.!!!

(Robson Sampaio)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aulão-Show do pré-vestibular Nicarágua




O pré-vestibular Nicarágua promove no próximo dia 17 de setembro no Centro de Convenções de Pernambuco o Aulão-Show que acontece anualmente pela instituição de ensino. Será um dia para aqueles(as) que estão com o desejo de obter maiores informações para desenvolver bem a prova das universidades federais de Pernambuco (incluído aqui o ENEM) e UPE. Estarão lá, além do corpo docente completo da casa, os professores de Literatura Luiz Fernando, Isaac Melo e Betânia Oliveira mostrando como se faz um prova de bom nível de modo fácil. Para obter maiores informações é só ligar para 3221-8099. Até lá!
(Isaac Melo)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Lei Federal nº 12.244

A Lei Federal de nº 12.244, de autoria do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 24 de maio. Ela estabelece que toda escola pública e particular do país deve ter um acervo de livros de, pelo menos, um título por aluno matriculado. O prazo para a instalação das bibliotecas é de dez anos. Isso significa que as determinações serão válidas a partir de 2020. Além do acervo, a lei também determina que os locais de leitura devem ser coordenados por pessoas capacitadas ou profissionais da área (bibliotecários). Sengundo o Censo Escolar de 2009, só 28,2% das escolas públicas do país contam com bibliotecas. Uma pesquisa divulgada no mês passado pelo Ministério da Cultura apontou que 445 municípios brasileiros não contam com bibliotecas públicas, o que representa 8% do total. O estado com o maior número de cidades sem esses espaçoes é o Maranhão (61). As bibliotecas municipais brasileiras têm, em média, 4,2 funcionários e a maioria (84%) é formada por mulheres. O estudo também constatou que 52% dos trabalhadores desses estabelecimentos não têm capacitação para a atividade.
(Diario de Pernambuco 6 de junho de 2010)

domingo, 6 de junho de 2010

O Manuscrito que está começando a ser escrito


Música! Eis aí um tema difícil. Aquele senso comum que diz "cada um tem seu gosto" fica à mercê quando se ouve algo tão bom. As novas composições de Sandy, numa síntese bem simplória, deixa claro o quanto a cantora mudou. Ela segue atualmente o que começou no final da carreira com o irmão. Nunca se pensou o quanto foi positiva a decisão de carreira solo.

Músicas dotadas de metáforas incríveis ( "quando o céu se cobriu de vermelho..."), comparações fantásticas (" dias iguais /são como um / rio correndo pra trás não deságuaem nenhum lugar..."), antíteses forte ("no sim existe um não/ no céu existe um chão/ vencer também tráz perdas"), são só algumas características dessa nova fase.

Um grande escritor russo chamado Fiódor Dostoievisk vai dizer de modo singular que "se quiser compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma, não preste atenção à sua maneira de calar, falar, olhe antes para ela quando ri". Essa citação vai de encontro às influências da escritora modernista Clarice Lispector no novo cd de Sandy. "Intimista, beirando o melancólico", palavras da própria cantora está em sintonia com a introspecção da escritora. Nesta mesma linha de pensamento, "olha antes para ela quando ri", está um verso de uma música do cd "Manuscrito", "Duras Pedras", aliás, repleta de antíteses, quando diz " sorrir pode esconder".

São estes "detalhes" para não dizer "tão pequenos" como foi dito pelo cantor e compositor Roberto Carlos que deixa claro mais uma antítese no disco. Detalhes que o torna grande. Grande como a capacidade desta cantora, utilizando-me de comparação ou a Sandy que é um golfinho de tão afinada, metaforicamente falando.

O "Manuscrito" é um ensaio do que ainda será escrito. Trocando em miúdos, é daí para melhor.



Isaac Melo

sábado, 1 de maio de 2010

A música por mim

[O texto que segue é um artigo de opinião, formulado de modo empírico, baseado essencialmente na análise e observação da música atualmente. Não dotada de conceitos científicos ou pesquisas mais profundas, sendo restrita a opinião de um cidadão.]
Por Isaac Melo
"Arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido", diz, em definição a palavra "música", o imortal da Academia Brasileira de Letras, Aurélio Buarque. A caracterização desta arte por este literato vem, como é perceptível na maioria dos estados brasileiros, caindo por terra. Ou é a própria essência da música que está em declínio.
A história da música, que é alvo de uma análise e pesquisa maior, não sendo o objetivo aqui proposto, remonta de séculos atrás. Basta só lembrar da origem do termo grego, gerador do gênero literário, lírico. Proveniente do instrumento musical lira, mostra que a música não é um modo de expressão recente. Uma das escolas literárias que mais vai se utilizar da música na Idade Média é o Trovadorismo. Movimento artístico literário caracterizado pelas cantigas, utilizou-se da melodia associada à poética - ou trova como a sociedade do século XIII chamava - para declamar sentimentos a alguém. A arte musical era de um rigor conteudístico refinado, e é fonte de estudo até hoje pelos grandes pesquisadores da área.
Ao contrário do que antes era música, atualmente, no Brasil, na era do "Rebolation", "Na Base do Beijo", "Xonou, Xonou" , basta só ter letras formando códigos, uns instrumentos tocando aleatoriamente, cerveja e... está feita a música. Em leituras diárias, deparei-me com uma matéria publicada pelo "Diario de Pernambuco" de 28 de Abril do ano corrente sobre a censura da música na ditadura de 1964. Ao lançar um cd o artista era obrigado a enviar as letras das canções compostas ao Conselho Superior de Censura. Cabia a este último decidir se as ideologias ali contidas eram subversivas ou não. Palavras como "Tentação" (nome da música de Dominguinhos), "Mijação" (parte da letra de uma canção de Kleiton e Kleber), "Eternamente Grávida" (de Joyce Moreno, fazendo uma analogia entre a criação musical e o parto), eram consideradas "referências depreciativas que ferem a dignidade nacional". É claramente percebido ser nem a censura nem a baixa qualidade musical observada hoje enquadrados no conceito aureliano. Não que esta seja uma linha não interruptível a ser seguida rigorosamente por quem faz a música. Mas, a grande maioria das canções ouvidas nos dias atuais é de lamentável gosto. Basta só ir a um pagode, micareta, baile funk, assim como eventos de forró eletrônico para ver, ou melhor, ver e ouvir, já que homens e mulheres semi-nus cantam e dançam no palco, a vergonha da grande maioria de nossas músicas.
Sim, a essência da música está em declínio. Nem proibir, já que estamos num estado democrático de direito, o qual eu defendo, nem permitir a entrada de palavras chulas em nossos lares. Porém, distinguir a má qualidade musical da boa. A nossa trilha sonora deve continuar a ser como nos primórdios da história e trazer "os sons de modo agradável ao ouvido" e letras com conteúdo de qualidade. Seja amoroso, cômico, religioso, crítico, social.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Comunicação e telegramas geniais

por Roberto Pereira (Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco)
Antes, a carta era o instrumento de comunicação entre as pessoas, apesar da demora, em priscas eras, para chegar aos destinatários, mas sempre um instrumento eficaz de entendimento e de estreitamento entre os povos. Depois, penso que na sequência, o telegrama, o telégrafo e o Código Morse, o fax e, agora, os e-mails, através da internet, além das mensagens, dos torpedos pelos celulares e quanto mais apareça neste inimaginável e admirável mundo novo colocado velozmente à nossa frente.
A carta de Pero Vaz de Caminha é o primeiro texto sobre o Brasil. Não tem intenções artísticas, mas é muito expressiva, por registrar as condições de vida dos primeiros colonizadores e habitantes da terra descoberta. Ela não só adensa e condensa as características dessa terra, como mostra a visão de mundo dos portugueses, apresentando a cultura dos índios num contraponto à dos europeus.
O telegrama criou uma linguagem enxuta, até por economia do valor a ser pago. Segundo Jô Soares, eis o modelo: "Viagem boa. Nós bem. Tempo maravilha.Beijosfulano". O "Beijosfulano", numa palavra só, é um expediente para economizar no telegrama.
Emílio de Menezes, que ficou na nossa língua conhecido como um dos grandes humoristas, quando da morte de uma amiga passou um telegrama cifrado para Machado de Assis, dizendo: "Machado, enxada foi-se".
O grande escritor Francisco Bandeira Melo, quando o poeta-embaixador João Cabral de Melo Neto recebeu , na Espanha, o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, atribuído pelo Patrimônio Nacional de Espanha e pela Universidade de Salamanca, enviou ao autor de Morte e Vida Severina o telegrama mais curto de que se tem notícia: "João: Olé. Bandeira".
Em Pernambuco, um governador preocupado com o problema da seca reuniu os prefeitos do Sertão, debateu o assunto que historicamente nos angustia, e pediu aos prefeitos que dessem notícias sobre as condições climáticas da sua cidade. Para espanto desse alto mandatário pernambucano, era contemplado diariamente por um mesmo burgomestre, com o seguinte telegrama: "Governador, chuvas? Nenhumas, prefeito Fulano de Tal" (SIC).
"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, voo 619 da Varig...". Mengálvio (Ex-meia do Santos, em telegrama mandado à família quando em excursão à Europa). Uma surpresa, portanto, com dia e hora marcados.
O meu pai, escritor Nilo Pereira, ao ser distiguido pela Academia Brasileira de Letras, por seu conjunto de obras, com o Prêmio Machado de Assis, foi agraciado com um outro laurel: um telegrama de Luís da Câmara Cascudo, com a seguinte mensagem: "Nilo, Larim, toré, babá. Cascudo." A expressão, de origem indígena, significa, pelo que suponho, alegria, e era a forma como eles se cumprimentavam para expressar o contentamento a cada reencontro. Expressão que, com o encantamento do folclorista Cascudo, passou a ser usada nas missivas e nos reencontros entre o meu pai e o insigne homem público Marcos Vilaça, e hoje, nos e-mails trocados modernamente entre mim e o escritor universal de Limoeiro.
Quando da eleição malograda do ex-governador de Pernambuco Cid Sampaio ao Senado Federal, o escritor Maviael Pontes enviou ao ilustre político a seguinte mensagem telegráfica: "Dr. Cid: Parabéns eleição senador federal. Perdeu, mas poderia ter vencido." Venceu o gesto!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Por que o Brasileiro lê pouco (Por Drummond)

"Eu lamento que haja pouco consumo de livro no Brasil. Mas aí é um problemas muito mais grave. É o problema da deseducação, o problema da pobreza - e, portanto, o da falta de nutrição, e da falta de saúde. Antes de um escritor se lamentar porque não é lido como são lidos os escritores americanos ou europeus, ele deve se lamentar de pertencer a um país em que há tanta miséria e tanta injustiça social."

(Última entrevista dada 17 dias antes da morte do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade)