sexta-feira, 16 de julho de 2010

O nosso Modernismo


O Modernismo, tomado na acepção estrita do movimento nascido em torno da Semana de 22, significou, em um primeiro tempo, a ruptura com a rotina acadêmica no pensamento e na linguagem, rotina que isolara as nossas letras das grandes tensões culturais do Ocidente desde os fins do século. Conhecendo e respirando a linguagem de Nietzshe, de Freud, de Bergson, de Rimbaud, de Martinetti, de Gide e de Proust, os jovens mais lúcidos de 22 fizeram a nossa vida mental dar o salto qualitativo que as novas estruturas sociais já estavam a axigir. Nesse abrir-se ao mundo contemporâneo, o Brasil reiterava a condição de país periférico, semicolonial, buscando normalmente na Europa, como o fizera em 1830 com o Romantismo ou em 1880 com o Realismo, as chaves de interpretação de sua própria realidade. Entretanto, a mesma corrente que fora aprender junto à arte ocidental modos novos de expressão refluiu para um conhecimento mais livre e direto do Brasil: o nacionalismo seria o outro lado da praxis modernista.


Pode-se hoje insistir numa ou noutra opção, e contestar nos homens de 22 certo exotismo estético, ou, na linha oposta, o seu amor às soluções folclóricas, neo-indianistas, neo-românticas... Mas o que não parece muito inteligente é condenar com arbítrio a-histórico o caráter dúplice que deveria fatalmente assumir a cultura entre provinciana e sofisticada dos anos de 20 em São Paulo. Na sua vontade de acertar o passo com a Europa, sem deixar de ser brasileiro, o intelectual modernista criou como pôde uma nova poesia, um novo romance, uma nova arte plástica, uma nova música, uma nova crítica; e a seu tempo se verá o quanto ainda lhe devemos.


(Alfredo Bosi em A História Concisa da Literatura Brasileira)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A força da poesia


Hoje pensando na vida, veio-me na cabeça uma poesia que não lia nem ouvia há pelo menos 7 anos. E ela, no passado, doeu. Hoje parece ter mudado. Eu e a poesia mudamos. Ela com novos sentidos e eu com uma nova dor. Duas vertentes continuam: ela, materialmente falando e a minha dor, abstratamente afirmando. Saudade. Eis a palavra que explica 100% o que senti ao lembrá-la tanto tempo depois. Temos aí materializado em versos parágrafos da minha vida.


Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!

Se me queres,

Enfim,

tem que ser bem devagarinho, Amada,

que a vida é breve e o amor mais breve ainda.

(Mário Quintana)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Teatro da Vida


-Um político em campanha, começou o discurso: -Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados, reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura à prefeitura. Um cidadão pergunta: -Escute aqui, por que o senhor usa três palavras para dizer a mesma coisa? O canditado responde: -A primeira palavra é para pessoas com nível cultural alto. A segunda é para pessoas com um nível cultural médio. E a terceira é para pessoas com nível cultural baixo, como aquele bêbado ali jogado na esquina. De imediato, o bêbado se levanta cambaleando e responde: -Sr. postulante, aspirante ou candidato! (hic) O fato, circunstância ou razão de que me encontre (hic) em um estado etílico, bêbado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou ralé mesmo(hic). E com todo o respeito, estima ou carinho que o Sr. merece (hic), pode ir agrupando, reunindo ou ajuntando (hic) seus pertences, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir diretinho (hic) à leviana da sua genitora, à mundana da sua mãe biológica ou à p.q.p.!!!

(Robson Sampaio)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aulão-Show do pré-vestibular Nicarágua




O pré-vestibular Nicarágua promove no próximo dia 17 de setembro no Centro de Convenções de Pernambuco o Aulão-Show que acontece anualmente pela instituição de ensino. Será um dia para aqueles(as) que estão com o desejo de obter maiores informações para desenvolver bem a prova das universidades federais de Pernambuco (incluído aqui o ENEM) e UPE. Estarão lá, além do corpo docente completo da casa, os professores de Literatura Luiz Fernando, Isaac Melo e Betânia Oliveira mostrando como se faz um prova de bom nível de modo fácil. Para obter maiores informações é só ligar para 3221-8099. Até lá!
(Isaac Melo)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Lei Federal nº 12.244

A Lei Federal de nº 12.244, de autoria do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 24 de maio. Ela estabelece que toda escola pública e particular do país deve ter um acervo de livros de, pelo menos, um título por aluno matriculado. O prazo para a instalação das bibliotecas é de dez anos. Isso significa que as determinações serão válidas a partir de 2020. Além do acervo, a lei também determina que os locais de leitura devem ser coordenados por pessoas capacitadas ou profissionais da área (bibliotecários). Sengundo o Censo Escolar de 2009, só 28,2% das escolas públicas do país contam com bibliotecas. Uma pesquisa divulgada no mês passado pelo Ministério da Cultura apontou que 445 municípios brasileiros não contam com bibliotecas públicas, o que representa 8% do total. O estado com o maior número de cidades sem esses espaçoes é o Maranhão (61). As bibliotecas municipais brasileiras têm, em média, 4,2 funcionários e a maioria (84%) é formada por mulheres. O estudo também constatou que 52% dos trabalhadores desses estabelecimentos não têm capacitação para a atividade.
(Diario de Pernambuco 6 de junho de 2010)

domingo, 6 de junho de 2010

O Manuscrito que está começando a ser escrito


Música! Eis aí um tema difícil. Aquele senso comum que diz "cada um tem seu gosto" fica à mercê quando se ouve algo tão bom. As novas composições de Sandy, numa síntese bem simplória, deixa claro o quanto a cantora mudou. Ela segue atualmente o que começou no final da carreira com o irmão. Nunca se pensou o quanto foi positiva a decisão de carreira solo.

Músicas dotadas de metáforas incríveis ( "quando o céu se cobriu de vermelho..."), comparações fantásticas (" dias iguais /são como um / rio correndo pra trás não deságuaem nenhum lugar..."), antíteses forte ("no sim existe um não/ no céu existe um chão/ vencer também tráz perdas"), são só algumas características dessa nova fase.

Um grande escritor russo chamado Fiódor Dostoievisk vai dizer de modo singular que "se quiser compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma, não preste atenção à sua maneira de calar, falar, olhe antes para ela quando ri". Essa citação vai de encontro às influências da escritora modernista Clarice Lispector no novo cd de Sandy. "Intimista, beirando o melancólico", palavras da própria cantora está em sintonia com a introspecção da escritora. Nesta mesma linha de pensamento, "olha antes para ela quando ri", está um verso de uma música do cd "Manuscrito", "Duras Pedras", aliás, repleta de antíteses, quando diz " sorrir pode esconder".

São estes "detalhes" para não dizer "tão pequenos" como foi dito pelo cantor e compositor Roberto Carlos que deixa claro mais uma antítese no disco. Detalhes que o torna grande. Grande como a capacidade desta cantora, utilizando-me de comparação ou a Sandy que é um golfinho de tão afinada, metaforicamente falando.

O "Manuscrito" é um ensaio do que ainda será escrito. Trocando em miúdos, é daí para melhor.



Isaac Melo

sábado, 1 de maio de 2010

A música por mim

[O texto que segue é um artigo de opinião, formulado de modo empírico, baseado essencialmente na análise e observação da música atualmente. Não dotada de conceitos científicos ou pesquisas mais profundas, sendo restrita a opinião de um cidadão.]
Por Isaac Melo
"Arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido", diz, em definição a palavra "música", o imortal da Academia Brasileira de Letras, Aurélio Buarque. A caracterização desta arte por este literato vem, como é perceptível na maioria dos estados brasileiros, caindo por terra. Ou é a própria essência da música que está em declínio.
A história da música, que é alvo de uma análise e pesquisa maior, não sendo o objetivo aqui proposto, remonta de séculos atrás. Basta só lembrar da origem do termo grego, gerador do gênero literário, lírico. Proveniente do instrumento musical lira, mostra que a música não é um modo de expressão recente. Uma das escolas literárias que mais vai se utilizar da música na Idade Média é o Trovadorismo. Movimento artístico literário caracterizado pelas cantigas, utilizou-se da melodia associada à poética - ou trova como a sociedade do século XIII chamava - para declamar sentimentos a alguém. A arte musical era de um rigor conteudístico refinado, e é fonte de estudo até hoje pelos grandes pesquisadores da área.
Ao contrário do que antes era música, atualmente, no Brasil, na era do "Rebolation", "Na Base do Beijo", "Xonou, Xonou" , basta só ter letras formando códigos, uns instrumentos tocando aleatoriamente, cerveja e... está feita a música. Em leituras diárias, deparei-me com uma matéria publicada pelo "Diario de Pernambuco" de 28 de Abril do ano corrente sobre a censura da música na ditadura de 1964. Ao lançar um cd o artista era obrigado a enviar as letras das canções compostas ao Conselho Superior de Censura. Cabia a este último decidir se as ideologias ali contidas eram subversivas ou não. Palavras como "Tentação" (nome da música de Dominguinhos), "Mijação" (parte da letra de uma canção de Kleiton e Kleber), "Eternamente Grávida" (de Joyce Moreno, fazendo uma analogia entre a criação musical e o parto), eram consideradas "referências depreciativas que ferem a dignidade nacional". É claramente percebido ser nem a censura nem a baixa qualidade musical observada hoje enquadrados no conceito aureliano. Não que esta seja uma linha não interruptível a ser seguida rigorosamente por quem faz a música. Mas, a grande maioria das canções ouvidas nos dias atuais é de lamentável gosto. Basta só ir a um pagode, micareta, baile funk, assim como eventos de forró eletrônico para ver, ou melhor, ver e ouvir, já que homens e mulheres semi-nus cantam e dançam no palco, a vergonha da grande maioria de nossas músicas.
Sim, a essência da música está em declínio. Nem proibir, já que estamos num estado democrático de direito, o qual eu defendo, nem permitir a entrada de palavras chulas em nossos lares. Porém, distinguir a má qualidade musical da boa. A nossa trilha sonora deve continuar a ser como nos primórdios da história e trazer "os sons de modo agradável ao ouvido" e letras com conteúdo de qualidade. Seja amoroso, cômico, religioso, crítico, social.